na primeira e em todas as vezes que fui à praia eu nunca mais vim embora


às vezes me sinto pescando versos
mas, quase sempre, acabo pescado deles.
há uma poesia que, tem vezes, vara, isca, anzol

...outras vezes, lança, flecha, arpão
 
e sempre,

sempre, corrente...

e acontece de ser como uma pesca às avessas,
por libertar... um fisgar-se livre,
um ir sem remo,

uma rima,
de si mesmo com a fluência...

um rumo, sem rumores

nem talvez

assim, se eu fosse um peixe,
seria, inegavelmente, poema.

mas, fui dar de ser pessoa...
e pessoa, não tive tempo ainda de ser poema

de não ser poema, não há meio algum de ser poeta
e, de não ser poeta, se perdoa bem.

mas,

também, não virei doutor,
médico, engenheiro,
advogado...

enfim, dei de ser só essa bagunça...

que chora, sempre que
de fronte ao
mar



3 comentários:

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