a falta de espaço nem sempre é uma falta de espaço. a falta de espaço é, às vezes, um nó. uma ocupação. um silêncio tacanho. um medo sem par. um grito na garganta de deus, que não ecoa. a falta de espaço dói bem mais quando ele existe. abundante e fértil. e nosso. como um violoncelo sem pernas que se abram. como tantos momentos, sem pernas que se abram. como música, sem ouvidos que se abram; sem alma que se toque. como partilhas que voltam vazias. e como as lembranças do que não foi. é como um riso distante antipático; pouco companheiro. ou como acordar só, na lua cheia. a falta de espaço é como uma primavera covarde, ainda que por sorte inevitável. como alma ávida por vida, mas cativa, num corpo de cachorro morto. a falta de espaço não se desfaz aos pontapés.a falta de espaço                                                 nem sempre é uma falta de espaço. e quando o espaço não falta, a falta de espaço é só um parênteses na eternidade do universo. mas, mesmo assim, em qualquer falta de espaço que haja, mesmo sem haver, há sempre um lugar aonde os anjos não podem habitar.




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