sola


você foi embora e eu quis dançar.
quis dançar, mas a dança não estava em mim.
e então, eu procurei pela dança...
procurei-a na televisão. ela não estava.
procurei-a pelos meus livros, e pelos meus vídeos, e pelos meus discos,
                                                                 [mas neles não a encontrei
e nem nos meus álbuns de fotografia ela estava;
na memória eu não a via.
não havia dança em nenhum canto da casa
e da janela não se podia avistá-la. e nem pelos céus.
telefonei pra minha mãe, pros meus amigos,
telefonei pra polícia; e ninguém sabia dela.
não se dançava mais nos teatros, cinemas
e nem na chuva se dançava mais.
a dança desabitou os sonhos, faltou aos ensaios, deixou órfãs as companhias.
a dança sumiu do mapa... se foi da rússia, do japão e da alemanha.
por fim, eu não dancei naquele dia.
e nem depois houve dança, aonde fosse.
só quando nos reencontramos, tempos depois, é que ela voltou:
a dança, afinal... cativa dos seus pés




4 comentários:

  1. "e que seja perdido o único dia em que não se dançou"

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    Respostas
    1. amora, quanto tempo!

      "...e eterno todo o tempo dançado!"

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  2. UAU! lindo demais.
    a vida merece celebração,
    dança... poema mais que doce,
    poema certeiro no coração.
    bjs

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graças pela partilha!

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