reencontro

"reencuentro" - e.maldomado



dia feliz vai ser quando as nossas bicicletas se reencontrarem...
elas se fitarão. amárchicas.   

              
se sustentarão por si, nas lúdicas neblinas da surpresa.
  sem freios e plenas de espanto.

hão também de derrapar em racionalidades vãs, saibamos        
– há bem mais entre o céu e a terra          
do que o que possam compreender as bicicletas...        

           mas saibamos também do indemarcado possível
            – os caminhos certos, ficam sempre para trás

assim, deixarão seus rastros até esse dia...            
e que dia feliz esse será!                 

                     as nossas bicicletas se fitarão. amárchicas.

pedais e guidões saberão então – e exatamente                     
 – o porquê de cada esforço. e descansarão...                    
exaustos, recompensados e satisfeitos.                        

                           o presente se calibrará com uma misteriosa nova névoa
                             e céu e terra então se fundirão...

na compreensão de que a vida – nas suas ciclo-vias                              
– vale mesmo cada moção.                               

                                 as nossas bicicletas se fitarão. amárchicas,

e o que virá depois                                  
é uma questão de corpo. e sonhos                                    

                                     as correntes se lubrificarão. prontas.

o viver se fará de manobras... equilíbrios, riscos, rodopios

as câmaras de ar perderão o fôlego. constantemente...

e no vácuo de cada uma dessas eternidades –
e epifanias – é que vamos...
quadro a quadro
 
...


em meio a lúdicas neblinas de surpresa, em um dia feliz
as nossas bicicletas se fitarão. amárchicas









ao irmão e amigo e. maldomado, pelas inspirações com-vividas...
e à andreas
e suas rodas... pelos passeios astrais até aqui




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7 comentários:

  1. A anarquia, um dia.../uma vida, substituirá covenientemente ou não (coisa utópica e sem graça) a democracia (onde todos mandam, para só mandarem muito poucos)!
    A_braços!!

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    1. Francisco!

      ... fico cheio de axé nessa sua visita!

      seja mais que bem-vindo, sempre! gratidões de cá!
      e tudo de muito bom aí, meu caro!

      há braços! té...!

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    2. Ei Poeta, sua poesia é cheia de amor e força e tem o mesmo poder do mar, das pedras, da mata, daquela árvore lá em cima...
      beiJU

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    3. ei, ju!

      gratidões pra sempre de cá, visse!? beijo carinhoso pelo vento e... abraço nosso naquela árvore lá em cima...!

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  2. Que as bicicletas prossigam desconcertantes - e sem consertos, sem marchas, sem freios e com muito espanto. Que texto lindo, Rafa. É tão bom te reencontrar nas ruas, no bar ou nos versos.
    Beijos.

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    1. myho!

      gratidões de cá, linda!

      e já saudade, visse!?

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  3. engraçado, sabe, rafa, chegou uma época em que elas, as bicicletas começaram a aparecer sem parar nos meus poemas, quase como uma utopia. comprei uma e passei a viver os poemas. mas eles não costumam ser muito românticos, geralmente são trechos da BR-3 ou poemas do ginsberg.

    sigamos

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