Århus - parte 2

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Fosse como fosse, terminei a minha listinha nesse dia com uma dúvida no peito...

Mas aí, na minha fala de agradecimento, eu pedia desculpas por não saber falar quase nada de dinamarquês e, naquele instante, eu tive um olhar retribuido... um com-tato estabelecido...

Minha dúvida assim desaparecia. Minha noite estava ganha.

Mas a vida - sempre cheia de generosidade - ainda reservava mais, quando uma moça veio, de uma outra parte, ao fundo do café, me dizendo que pôde ouvir tudo de lá e que me queria agradecer pela partilha....

Eu também a agradeci; partilhamos um abraço e, nesse momento, tudo pára

... pra ver nascer outra eternidade


O "mesmo" aconteceu com Kasper, o bartender da casa. Tivemos uma conversa breve, mas suficiente pra durar pra sempre...

E assim, eu saia de lá, como deve ser... in transe


Mas essa lida com o desconhecido, que pode sempre ser chamada de vida - mesmo no caso daqueles que pretendem evitá-lo, ao máximo -, tem lá também as suas dores...

Bem naqueles dias de Sol intenso, com o céu cada vez mais abertamente azul, o humano foi nublando e...

Foi em Århus que ressenti essa frieza que teima em rondar a nossa (des)humanidade...

No dia seguinte eu deveria tocar no Under Masken, um café-bar underground, desses literais, que se fundam nos porões da cidade. Levantei cedo e passei o dia sentindo saudades, querendo deitar no colo do Brasil.

Era a primeira tristeza da viagem.
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Um comentário:

  1. Com ou sem dores, a lida com o desconhedio, a chama vida...é linda! A sua é incrível de linda!

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graças pela partilha!

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