Værsgo!

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... i Danmark, igen!

                                                                                       


Finita a primeira, impressionante e inesquecível parte da viagem, começava ali o novo momento... Nenhum nome seria mais interessante que, talvez, aquele: Casa Tropicália.

A ironia era todo aquele nome com toda aquela coisa acontecerem na cinza e chuvosa Copenhagen, em pleno verão. A alegria era aquilo tudo acontecendo ali, bem aqui, na tal Dinamarca... que de quase inimaginável, um dia, passou a ser parte da minha vida, mais ou menos meia década atrás.

Primeiro trem; depois, metro... E lá estava eu, um pouco mais periférico que de costume. A pintura na parede não me deixava errar. Na passagem de som, o cheiro de churrasco era inconfundível... um pedaço - mal passado, por favor - de Brasil.

Simone é a dinamarquesa casada com brasileiro que me recebeu ali. Svend, o amigo-irmão dinamarquês que vinha anfitriando as coisas desde sempre. Nessa etapa, as acrobacias são já outras... mas ele segue assim, perto. Sua casa, em Svendborg, é quase incrível - porque palpável... Hoje mesmo, pro jantar, lareira, velas, jazz e cerveja belga tipo abadia pra acompanhar uma típica torta de ovos com bacon dinamarquesa, com salsichas - também típicas - complementadas com salada e mostarda forte; mas essa já é outras estória!

Nany, Beto e Arthur têm sido minha família também... Juntos desde o começo, temos passado dias maravilhosos aqui, antes de rumarmos para outros cantos... Nany e Beto para a Estônia, Arthur, Noruega; e eu, Alemanha.

Stina, companheira dinamarquesa mais baiana, que descobri em pleno Rio... Lapa, pra ser mais preciso - e com adendos em Santa Teresa... Também tinha parte nesses arranjos todos e sua presença lá me foi mais que especial. Seu amigo francês era pra lá de gente boa. O casal que unia Dinamarca à Costa Rica também.



E a baita surpresa viria ao final: Dendê de Vênus, trazida pelo Senhor do Bonfim, com a delicada e decisiva ajuda de Freia, in diretamente de São Salvador... Parecia sonho, mas era real... Parecia perdida, mas era achada... Parecia ofegante, mas era apenas a perda do ar... E o calor no frio, foi como na Lua...

Estréia feita, pra esse tempo de Europa! É difícil tocar violão sem ainda me sentir instrumentista... É difícil prever o que acontece com a partilha da poesia, quando essa se veste de uma língua estrangeira... É difícil com a cultura outra... É difícil muita coisa... Mas é demais acreditar na partilha e vê-la acontecendo mesmo assim, no sorriso, na conversa breve depois da canção, no silêncio, no abraço, no papo pela estrada em plena madrugada, no rumo do interior...

Alguns olhos já brilharam quasevendo a Dona Luiza nessa Europa... Como também já se ouve falar por aqui daquele tal homem que se transformou em uma blackberry tree...




É difícil encarar um massacre como esse de Oslo, aqui tão perto. Mas é ainda mais por essa - e outras... por oposição a essas mãos, que se firmam em gatilhos, que eu tenho que entregar minhas mãos trêmulas às cordas do violão... E é contra bombas como essa, que eu me preciso explodir dia-a-dia...

Værsgo é uma palavra de licença e de começo... nesse caso, permitir(se) e (re)começar...
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