Bella Donna



Abri aquela red ale irlandesa da geladeira. Espalhei umas velas pela varanda. Preferi grafite à tinta.

Queria o efêmero impresso, antes que esvaísse. Mas o queria cheio de si, etéreo, onírico, fugaz... Queria-o lápis.

Mas queria também, e ali, o eterno; pleno de um só momento, livre de qualquer depois e, sempre que é assim, caneta, lápis, areia, pedra; tudo tanto faz... é sempre pouco.

Era uma segunda de Lua quase cheia, noite que já ia, madrugada; fria... levemente fria. Além dali o véu, o alvo, a pele, carne, em si. Aquém do céu o âmbar, o teor dos cabelos; as chamas, o calor das mãos; a paixão... a paixão e toda a teimosia inconseqüente daquele rubor, ainda em intensas fermentações... renda espanhola, roupa de mãe, energia flamenca, atração cigana, e o olhar... de criança.

Era lá o tal esconderijo.

Arrastei a mesa para além do teto e deixei que a Lua e as velas se encarnassem ali, ao mesmo tempo em que tomava lenta e rigidamente toda aquela cerveja.

E fizemos amor, efêmera e eternamente...
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2 comentários:

  1. uowwwwwwwwwwwwwwwwww.. Excitante!! saudades de vc nego! sempre falo bem de vc por ai!
    bjssssssss

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  2. Quase sempre prefiro, também, o grafite à tinta. Se optar pela espontaneidade das cores, escolho, então, giz de cera!

    =)

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graças pela partilha!

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