Enredo(s) em Rede...



A idéia era ter, nesse tempo e nesse cyberespaço, meramente uma postagem... Mas é de mudanças que se faz uma viagem... E de viagem que se fazem transformações...

Apenas o começo e... Já... O mundo inteiro passa pela minha alma. Pela estrada, encontros místicos. Cores de um novo tempo, sincreticamente arremessadas de baldes diferentes - e, essencialmente, os mesmos baldes - me lavam o ser inteiro, plenamente... Meu novo sabor é tutti-colori...

 
Leio enredos diversos... Encontro nobres contadores... Misteriosos encontros. Hoje, Minas Gerais: terra de muitos tesouros. Me agrada o relevo, me faz lembrar um tempo-momento eterno... Minhas sensações montanha-russa.


O cheiro é de café.


Minas Gerais... A palavra é prata... O silêncio, ouro... Retirantes, seresteiros, viandantes... E eu mesmo, me sendo essas coisas todas... Traduzo as linhas tortas da escrita de Deus junto desses tradutores do sentimeno do mundo... Bem aventurança de quem não tem onde chegar... E de quem faz da ponte, a casa pra morar. Gosto das pontes que se tecem de palavras... Gosto muito de, delas, escutar o s'om das águas que correm os rios de silêncio sob e sobre qualquer passagem. Gosto desse artesanato visceral... De quem tece os fios da própria história... E se costura na meada de uma vida mais gostosa... Uma sede planetária... Formaremos, de repente, um grande tapete... Tapete mágico... Voador que nos voe além e aquém de quem somos hoje...

Pra alma, canções... Composições desses enredos simples. Pego meu nariz vermelho, minha criança renascida, minha viola e meus acordes aprendizes. Na estrada, minha folia é minha estrela do oriente... Estrelas cadentes se fazem patentes de meus sonhos... Em noite nublada, desenho estrelas no chão - com cacos de telha... E em noite escancarada, trepo nas telhas e pego as estrelas na mão...


Se chove... É pra ritmar a dança e regar e flor... A minha flor de ir embora... Embora a flor se alimente do que a gente chora, a água é refresco... Rompe carinhosamente a terra certa do que quer... Flor do meu desejo de mundo. De sentimento, amadurecendo, de pouco em pouco... Daí minha partida. Se faz frio, peço ao tempo uma ponta de seu cobertor. A flor há de se abrir inteira, no momento de ser. Aíssim mudaria minha vida... Pra sempre uma vida... Uma e outras mais... Sete... Sete mil... Sete mil vezes sete. Mas até lá, vou poeta, romeiro, retirante e seresteiro... Viandante, hoje, em chão mineiro... Cheio de palavras, muito silêncio e Amor primeiro... Pela rua, alma nua, sempre... Minha tinta é o presente e meu diário, o coração... Nas linhas da palma da minha mão eu me vejo... Não sou causa... Sou raro efeito... Rarefeito na divina condição de minhas inspirações humanas... Se meu nariz é vermelho, hoje, a aura que me veste é verde... Minha espada é a de Ogum, minha 'deixa', Ganesha e minha caça sou eu mesmo. O mesmo eu...


Meu escudo é a minha escada pr'à subida... Meu estudo é minha estada e minha partida...


E da viola, diz-se - e sei - que ela acha graça se o dono se apaixona... E se ele sara, ela estranha e semitona...

Eis aí a vida, feita de idas e vindas...

 
E a saudade é o diploma... de quem tem boca e foi a Roma...

Pedras pela estrada? Muitas... Eu mesmo trouxe várias lá de casa, já na mala, repletas de gravações e eternidades... E mais todas as da vida de hoje, dessa andança e caminhada...

E pra que parafrasear um tal Pessoa, se poderei, em minha pessoa, para-fazer acontecer?

As pedras? Tenho todas bem guardadas... Em breve farei meu castelo... E será oculto apenas aos olhos-de-mentira...

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